domingo, 22 de agosto de 2010

Coisa séria na Moda.

Sempre achei muito legal as blusas com o simbolo do Combate ao Câncer de Mama. Navegando por aí, achei a história por trás da idéia, e achei muito bonita. Acho legal ir repassando.

---

No começo dos anos 90, Ralph Lauren não estava bem da saúde. Um câncer fez com que ele passasse um tempo no Georgetown University Hospital. Lá, ele encontrou a editora de moda do The Washington Post, Nina Hyde. Os dois eram amigos.

Conversando, Nina contou que estava com câncer de mama. Impressionado, porém mais assustado ainda com o próprio problema, quase disse a ela: “Sorte a sua. O meu é no cérebro.” Nina morreu em maio de 1990, aos 57 anos. Lauren superou a doença.

Insight | Aquilo o deixou tão estarrecido, um câncer de mama ser mais fulminante do que um na cabeça, que Lauren passou a pesquisar mais sobre o assunto: entre as mulheres, a doença é a segunda maior causa de morte, perdendo apenas para problemas no coração. E pode ser detectada antes que seja tarde demais (o que não ocorre, hoje, em cerca de 70% dos casos).

Se Nina, uma mulher culta e esclarecida, não sabia disso, imagine o restante da população.
Ralph Lauren resolveu usar sua expertise, a moda, para combater a doença. Surgiu, assim, a campanha Fashion Targets Breast Cancer, que em português se tornou O Câncer de Mama no Alvo da Moda.

Lauren mobilizou o CFDA (Council of Fashion Designers of America), do qual era presidente, para um modelo simples de campanha: camisetas com o logo criado por ele, um alvo azul entre os seios, que destinaria parte da renda da venda para projetos relacionados à doença e disseminação de informação de como se prevenir.

O sucesso foi tão grande que, em 1995, o representante de marketing do IBCC, Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, Onésimo Affini, trouxe a ideia para o Brasil. Aqui, a campanha está comemorando 15 anos.

Espelho | Começo dos anos 1990. “O presidente do IBCC me chamou e disse: ‘Eu atendo gente pobres, e atendo bem. Mas não tenho dinheiro. Preciso de ajuda. Será que esse tal de marketing pode me ajudar?’”, lembra Affini. Foi assim que começaram a trabalhar juntos.

Affini topou a empreitada e passou alguns anos procurando algo que ajudasse o IBCC. Foi quando ele viu em uma revista estrangeira o anúncio da campanha Fashion Targets Breast Cancer. Juntou algumas pessoas para discutir o assunto em um bar no bairro da Mooca. “Tudo começou em um almoço de R$ 14, perto da Universidade São Judas: algumas esfirras e suco”, recorda. “E hoje, já arrecadamos mais de R$ 57 milhões.”

O time | Partiu para os EUA e voltou com a ideia licenciada. Reuniu os principais estilistas da época: Carlos Miele, Renato Kherlakian (da Zoomp), Tufi Duek (da Forum) e Nelson Alvarenga (da Ellus) para ver o que poderia ser feito. “Foi muito engraçado juntá-los em uma sala”, revela. “É a união pela moda.” Affini diz isso porque não havia um calendário de moda na época, como há hoje. “Não havia São Paulo Fashion Week. Foi antes até do Phytoervas Fashion.”

As camisetas foram criadas, foram feitos comerciais, modelos e pessoas famosas participaram, e tudo isso fez com que a campanha se tornasse muito mais forte no Brasil do que em qualquer outro país que ela esteja (Reino Unido, Irlanda, Austrália, Grécia, Japão, Canadá, Portugal e Chipre).

Coleção | As camisetas ganharam diversas versões. E há novos modelos a cada edição da SPFW, assinados por estilistas que participam do evento (veja algumas ao longo deste post). Além das peças de roupa, há outras ações, como a Corrida e Caminhada Contra o Câncer. “Tudo para levar informação sobre a doença para as pessoas.”

Onésimo conta que quando trouxeram a campanha para cá, a doença ainda era tabu. “As pessoas nem sequer pronunciavam a palavra ‘câncer’”, conta. “As empresas não queriam colocar o nome no projeto.” Quinze anos depois, a situação é bem diferente. “A campanha ajudou o IBCC a se estruturar, e a sociedade brasileira a entender o câncer.”

Atualmente, são seis coleções por ano, com peças que vão bem além da camiseta. Quem se interessar pode ir às lojas da Hering. “Não importa se a pessoa compra a camiseta por causa da moda ou por causa da campanha. O importante é a doação. A causa é maior que isso”, arremata Affini.

(fonte : Moda- Estadão)

Nenhum comentário:

Postar um comentário